DEIXADOS PRA TRÁS
Remeto-me ao passado, e recordo-me de um dia chuvoso, eu deveria ter entre 4, 5 anos, e
poucas são as vezes em que me vem a memória lembranças de coisas de criança, na maioria da vezes são como trailers de filmes, passam apenas senas rápidas em minha mente, ligeiras como feixes de luzes. Mas essa sena hoje não sai de minha mente, e pude vislumbrar-me a porta de casa vendo meu irmão que é apenas 3 anos mas velho que eu, enfurecido na chuva a martelar seu velocípede. E lá estava ele, suas lagrimas se misturavam com a água que incessantemente jorrava do céu. E sem parar martelava o pobre brinquedo. Nossos pais tinham acabado de se separar, e ele não poderia levar o brinquedo para casa de nossos avós maternos, pois iriamos de trem. Martelou-o até que nossa mãe com uma palmada o tirou da chuva.
Só que não era apenas nossos brinquedos que estavam ficando para trás, era aquilo que se chamam de lar, família, nossas memórias estavam sendo deixadas também, aquilo ao qual você se baseia até chegar a vida adulta. E lá fomos rumo a Magé. Não recordo-me de como chegamos, nem de termos nos despedido de nossa mãe que ali nos deixou, e tudo que me lembro se baseia apenas em mim. Eu no colo do meu avô. Eu no milharal, no balanço do quintal. Das plantações de cana, do pé de jabuticaba, amora, do pé de orucum.
Doce vida na roça.
E um belo dia. Bum! Tudo desmorona. Adultos! Como podem ser tão indecisos? Será que não pensam que suas decisões também influenciam na vida dos pequenos? Depois de 5 anos, reataram o casamento. E lá se foi outro mundo por água abaixo. Mas dessa despedida me recordo. Vovó na estação do trem chorando e acenando, vovô não quis ir. E enquanto acenava ia deixando para trás algo mas que brinquedos, estava deixando meus sentimentos.
Vida dura na cidade grande! Vida dura.
E um belo dia. Bum! Tudo desmorona. Adultos! Como podem ser tão indecisos? Será que não pensam que suas decisões também influenciam na vida dos pequenos? Depois de 5 anos, reataram o casamento. E lá se foi outro mundo por água abaixo. Mas dessa despedida me recordo. Vovó na estação do trem chorando e acenando, vovô não quis ir. E enquanto acenava ia deixando para trás algo mas que brinquedos, estava deixando meus sentimentos.
Vida dura na cidade grande! Vida dura.





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